VERNISSAGE

instalação + performance

VERNISSAGE
Instalação
Estrutura de ferro, com chapa espelho, cortinas de PVC e limalha de alumínio.

300 x 300 x 300 cm

Uma cenografia para uma galeria...

No trabalho que temos vindo a desenvolver quer em teatro quer em dança, interessa-nos a ideia de que a cenografia possa condicionar a ação e o movimento dos intérpretes. Procurámos re-aplicar esta ideia na concepção da presente peça. 

Pressupomos uma instalação que limita e condiciona os visitantes, no sentido de transformar o comportamento, a fisicalidade e a percepção desses visitantes, no momento de fruição estética da obra. Os visitantes passam a ser parte integrante da obra, transformam-se em objecto de análise e agente participativo daquele que se torna simultaneamente um momento de visita a uma instalação e um momento performativo. 

 

Quando os visitantes acedem ao interior da instalação vêm-se cercados pelo seu próprio reflexo, num espaço que tem como objectivo forçar a observação. Dentro da caixa espelhada está instalada uma câmara que permite, através de um QR Code, que qualquer outra pessoa possa assistir ao que está a acontecer no interior, através do seu telemóvel. 

A experiência é influenciada por vários factores que a instalação desencadeia, salientando-se de entre eles o constrangimento resultante da percepção/consciência de estar a ser observado e do simultâneo desconhecimento sobre quem são esses observadores, bem como a distorção do reflexo provocado pelo material. 

Guilherme de Sousa & Pedro Azevedo

 

"O trabalho da dupla Guilherme de Sousa / Pedro Azevedo situa-se muitas vezes num território das artes performativas próximo do das artes visuais: narrativas feitas de movimento e imagem sem ingerências de texto, com um depuramento e um sentido cromático que lembram os recortes de Matisse, e que parecem radicar numa coisa pré-política: a ternura.

Neste Disfarce, disfarce., regressam aos dispositivos de interação com o público (como em Popper Non Popper de 2015, ou como em Horto de 2017, estreado na mala voadora), considerando desta vez a circunstância de estarem a produzir para uma exposição ou, mais genericamente, pensando a partir da ideia de “museu”. Propõem um trabalho com dois componentes. (1) Ao entrar num cubo cujo interior é espelhado, o público depara-se com a sua própria imagem. Trata-se de uma obra que se inscreve na tradição minimalista de interação entre obra e contexto, ou entre obra e observador, e ecoa obras da década de 1960 como os cubos espelhados de Robert Morris ou os efeitos perceptivos das salas de Dan Graham. Uma cenografia para o protagonismo de quem vê, que se vê face ao constrangimento de se ver a si próprio, e também face ao constrangimento físico causado pelo pavimento sobre o qual tem de deslocar-se. (2) Numa intervenção de natureza performativa, o público da exposição também é colocado perante o seu próprio reflexo, não em sentido literal, mas através do confronto com o comportamento de outros elementos do público, no qual ele poderá rever-se. Um espelho social.

Em qualquer dos casos, trata-se de dispositivos para o público se confrontar consigo mesmo – dispositivos para a tomada de consciência do público enquanto “público”." 


excerto de JOSÉ CAPELA para a folha de sala da exposição DISFARCE DISFARCE

 

 

performance

CRIAÇÃO: GUILHERME DE SOUSA & PEDRO AZEVEDO

INTERPRETAÇÃO: ANA RITA XAVIER

BANDA SONORA: Four Walls - Patti Page

60 minutos